Truffaut: um cineasta apaixonado no MIS

Truffaut Um Cineasta Apaixonado.

Entre os dias 14 de julho e 18 de outubro, o MIS apresenta a exposição Truffaut: um cineasta apaixonado. A mostra revela o rico trabalho deste famoso cineasta francês considerado em todo o mundo como uma das principais figuras da O MIS será a primeira instituição a receber a exposição, que foi concebida pela Cinemateca Francesa, onde ficou em cartaz de 8 de outubro de 2014 a 1º de fevereiro deste ano.

terças a sábados, das 12h às 20h;
domingos e feriados, das 11h às 19h
Terças-feiras: Entrada gratuita
R$ 10 (inteira) R$ 5 (meia)

Sob curadoria de Serge Toubiana, Truffaut: um cineasta apaixonado foi concebida para homenagear o diretor por ocasião do trigésimo aniversário de sua morte, completado em outubro passado. A exposição apresenta mais de 600 itens, como desenhos, fotos, objetos, livros, revistas e roteiros com anotações, além de trechos de filmes e entrevistas do diretor. Todas as peças foram doadas à Cinemateca Francesa pela família do cineasta. O material, guardado pela família de Truffaut, é incrivelmente rico e reflete a obsessão que ele tinha em guardar tudo.

Documentos inéditos, redescobertos recentemente, graças a parentes e colaboradores do cineasta, são apresentados pela primeira vez na exposição. Entre eles estão ensaios dos atores, um croqui de figurino, fotos de cena e acessórios do filme O último metrô/Le Dernier métro (1980). Correspondências, notas manuscritas, cadernos, que projetam não só o universo ficcional de François Truffaut, mas também seu gosto pela literatura. Entre suas obras, estão adaptações literárias, como Jules e Jim e As duas ingleses e o amor/Les Deux Anglaises et le Continent, de Henri-Pierre Roché, e Fahrenheit 451 de Ray Bradbury.

A exposição no MIS traz um recorte diferente do que foi feito na Cinemateca Francesa. Enquanto na montagem de Paris apresentava a vida e obra de Truffaut em uma ordem cronológica, a montagem paulistana revela Truffaut por meio do cinema. Como em todas as exposições do MIS, o público pode esperar uma expografia especial, com experiências sensoriais em algumas salas.

Sobre Truffaut
François Truffaut nasceu em Paris em 6 de fevereiro de 1932. Não conheceu seu pai verdadeiro e foi criado por sua mãe, Janine e seu padrasto, Roland Truffaut. Teve uma infância difícil e rebelde, encontrando fuga nos livros – lia avidamente – e nas sessões frequentes de cinema. Sua paixão por filmes o levou a fundar um cineclube quando tinha apenas 16 anos, mas que resultou em dívidas, problemas com a polícia e distanciamento de seus pais. Alguns anos mais tarde, durante o serviço militar, desertou e passou algum tempo em uma prisão militar na Alemanha.

Com o apoio do crítico André Bazin, sua sorte mudou, e na década de 1950 começou uma carreira como um bem sucedido e controverso crítico de cinema da revista Cahiers du cinéma. Em seus artigos condenava a velha guarda do cinema francês e propôs uma nova visão, que ele e seus amigos, como Jean-Luc Godard e Claude Chabrol, entre outros, criariam: a Nouvelle Vague. Seu primeiro filme, em 1959, Os incompreendidos/Les Quatre Cents Coups, alcançou sucesso imediato e premiou Truffaut no Festival de Cannes como melhor diretor. Este e seus longas seguintes estavam em contraste marcante com a maioria dos filmes franceses da época, usando muita improvisação, edição bastante incipiente e pequenos orçamentos. Seu mais aclamado filme, Jules e Jim – Uma mulher para dois/Jules et Jim, foi lançado em 1961 e é considerado um clássico do cinema francês.

Em meados dos anos 1960, a carreira de Truffaut desacelerou enquanto ele lutava para iniciar a filmagem de Fahrenheit 451 (1966), adaptação cinematográfica do romance homônimo de Ray Bradbury, e ao mesmo tempo trabalhava na biografia de seu herói, Alfred Hitchcock. Sua carreira como diretor deslanchou no final da década de 1960 e início de 1970 com uma série de filmes de sucesso, incluindo Beijos proibidos/Baisers volés (1968), As duas inglesas e o amor/Les deux anglaises et le continente (1971) e A noite americana/La nuit américaine (1973), pelo qual ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro. Seus últimos filmes da década de 1980 foram menos bem sucedidos que os das décadas anteriores, mas ainda demonstravam sua capacidade em criar movimentos e filmes impressionantes.

Além de diretor, Truffaut era também um ator respeitável, aparecendo em vários de seus próprios filmes (principalmente em O garoto selvagem). Ele também estrelou, em 1977, o aclamado Contatos imediatos do terceiro grau, de Steven Spielberg.

A maioria dos filmes de Truffaut tinha um elemento semibiográfico, refletindo sua vida e seus humores. Um homem apaixonado e sincero, ele foi fortemente atraído pelas mulheres, e teve relacionamentos com muitas atrizes que participaram de seus filmes, particularmente Jeanne Moreau, Catherine Deneuve e Fanny Ardant (que finalmente lhe deu um filho).
Pouco depois de completar seu último filme, De repente num domingo/Vivement dimanche! (1983), Truffaut foi diagnosticado com um tumor no cérebro em 1983 e, depois de um declínio lento, morreu em um hospital em Neuilly, na França, em 21 de outubro de 1984, aos 52 anos.

Na opção da compra, o horário informado é o último horário permitido para acessar a exposição no respectivo dia do seu ingresso. O ingresso comprado é válido para todo o dia seguindo os horários de funcionamento da exposição.

Nayra Simões é estudante de Letras na Universidade de São Paulo, faz russo como segunda língua e é inicianda da Prof.ª Dr.ª. Verena Kewitz, estudando os Marcadores Discursivos sob o olhar da teoria Multissistêmica e quando sobra tempo pra respirar, estuda francês, espanhol, chinês e tcheco. É formada em violão popular e teoria musical, e se arrisca um pouco no teclado e ainda não conseguiu parar de rascunhar frases por aí. Não tem vergonha de tocar em público, mas morre se tiver que tocar pra uma só pessoa. Atualmente, é professora particular de inglês.

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